segunda-feira, 21 de abril de 2014

Relacionamento com Deus

A verdade, bloguinho, é que eu te amo, e não importa quanto tempo passe, eu sempre quero voltar para você.

Oi galera!

Eu sei, não precisa dizer, faz tempo, tempo demais, eu diria.

Esse post não é para dizer que eu vou voltar, mas é para dizer que eu gostaria.

É engraçado e até pouco estranho pensar na relação que mantive com o blog nos dois anos em que ele ficou efetivamente ativo. Nunca foi um trabalho e pela responsabilidade que eu sentia, também não posso dizer que era unicamente lazer, a verdade é que eu gostaria que fosse trabalho, gostaria de ter o prazer e obrigação de estar com vocês todo dia, de fazer disso aqui, meu “ganha pão”, mas tudo que consegui foi alimentar uma relação singela e não profissional de mútuo carinho, então, por mim, tudo bem.

Bom, chega de lamentações e vamos às atualizações:

Gente, graças ao bom Deus, estou no penúltimo ano da faculdade, até poderia ser o último se eu não tivesse 800h de estágio para fazer e 400h de horário complementar para entregar. Depois da faculdade, se for essa a vontade de Deus, gostaria de casar, e se não for, penso muito seriamente em mudar de profissão, voltar ao teatro, viajar e deixar a vida passar com um pouco mais de prazer. Porque confesso, meus queridos, que a rotina de trabalho intenso e faculdade têm me deixado meio amarguinha, além é claro, de ter me afastado de pessoas que muito amo.

Não comprei um cachorro gordinho, não ganhei muito dinheiro em algum sorteio maluco, não mudei de casa, não arranjei um editor para os meus textos e não tirei a carta de motorista depois daquela minha trágica tentativa que, por acaso, vocês acompanharam por aqui.

Pronto, atualizações feitas, e agora eu queria contar algo que um dia desses aprendi.

Eu quero falar sobre dízimo, o que além de ser um papo polêmico, também é mais especificamente para galera cristã.

Tem gente que abomina a prática do dízimo. E se você começou a ler e não sabe o que é isso, vou tentar explicar melhor. Dízimo é a décima parte de tudo aquilo que ganhamos e que devolvemos em gratidão a Deus, ou seja, corresponde a 10% do seu pagamento, que você entrega à igreja.

Eu sempre achei que o dízimo deveria ser algo voluntário, deveria partir da nossa vontade de agradar a Deus e nunca deveria ser apenas uma obrigação.

Para ser sincera, sempre que faltava dinheiro no meu orçamento, a primeira coisa que eu deixava de pagar era o dízimo, afinal, achava sempre que Deus ia entender e que por não ser uma obrigação, eu poderia dar esse dinheiro quando quisesse e eu fazia tanto isso, que aos pouco parei completamente de pagar.

Vale lembrar que meu pastor nunca me tratou diferente por eu deixar de dar esse dinheiro à igreja, ninguém nunca me cobrou.

Embora eu assistisse com frequência ministrações sobre a importância dessa prática, eu achava simplesmente que davam aqueles que podiam, e eu não podia naquele momento. Intimamente eu sabia que eu nunca ia achar que poderia pagar, sempre ia conseguir dar um destino “melhor” ao dinheiro do dízimo.
E foi assim, até que eu me descontrolei tanto nos gastos que, mesmo ganhando relativamente bem, não estava conseguindo pagar as contas, todo mês faltava um dinheirão para pagar meus compromissos, não estou falando de R$ 100,00 ou R$ 200,00, estou falando de mais de mil reais por mês, comecei atrasar minhas mensalidades de tudo e aí, claro, corri para Deus e comecei a chorar e orar, foi quando aprendi algo muito importante que quero compartilhar agora com vocês.

Deus começou a falar comigo sobre compromisso, sobre aliança, e Ele começou a me ensinar, por meio da bíblia, que fidelidade não é algo unilateral.

Nós cansamos de dizer e ouvir que Deus é fiel, o que realmente é fato inquestionável, Ele nos demonstra isso todos os dias, de diversas formas, mas como é que nós podemos demonstrar a Deus que somos fiéis?

Aprendi que dízimo não é dinheiro, é compromisso, é aliança, é uma das minhas responsabilidades no relacionamento com Deus. Porque todo relacionamento exige de nós algum tipo de dedicação, seja um namoro, uma amizade, seja um relacionamento de pai para filho, e com Deus não é diferente.

Deus não é um ser que adoramos de longe e que serve para satisfazer nossos desejos. Apesar de ser tão poderoso e tão grande, Deus também deseja ter parte conosco através de um intimo relacionamento.

Então, mesmo faltando dinheiro no fim do mês, eu comecei a pagar o dízimo, eu tirava dinheiro da alimentação, do lazer, de qualquer coisa, mas o dízimo se tornou a primeira coisa que eu separava quando recebia o salário.  Não vou dizer que no mesmo mês ganhei um dinheirão que cobriu todas as minhas dívidas e despesas, não foi assim. Passei mais alguns meses “no aperto”, mas quando me dei conta, eu havia conseguido negociar minhas dívidas e tudo estava caminhando bem novamente. Deus fez literalmente um milagre na minha vida financeira.

Algum tempo depois, quando eu já estava menos “enforcada”, comecei a pagar meu dízimo num valor maior que 10%, com isso eu queria muito que Deus soubesse que eu reconhecia sua mão milagrosa sobre minhas finanças. Para minha surpresa, tempos depois, tive um reajuste salarial muito bom e comecei a receber exatamente o valor que correspondia ao dízimo que eu estava pagando. Coincidência, minha gente? Não. O nome disso é relacionamento com Deus.

Deus não precisa do nosso dinheiro, sério mesmo, não precisa, mas Deus merece nosso compromisso, Deus merece nossa dedicação, Deus merece e deseja que nosso relacionamento com Ele não seja robótico, ou distante, Deus nos dá sim esperança todos os dias, todo o tempo, mas Ele também deseja e espera algo de nós, espera que façamos nossa parte na aliança que temos com Ele.

Bom galera, é isso. Se você acha que quero incentiva-lo a dar o dízimo, sim, eu quero. Mas apenas se você ama e conhece a Deus. Caso contrário, isso não serve para você, ou seja, não precisa criticar uma prática que não é sua e sobre a qual ninguém está te exigindo nada, ok?

Muitos beijinhos e fiquem com Deus.






segunda-feira, 8 de julho de 2013

O que me irrita em você

O Bru diz que nunca brigamos. Mas para mim, toda vez que eu perco a vontade de falar, é briga!  Uma briga silenciosa e educada, mas não deixa de ser briga.

Tudo bem que, graças a Deus, nunca gritamos um com outro, nunca nos ofendemos, ou jogamos coisas na cara um do outro, acho até que toda vez que brigamos, olhamos para dentro de nós mesmos e procuramos melhorar, mas falamos o que está nos incomodando ou o que estamos pensando e isso para mim é briga.

A verdade é que o Bru e eu somos muito diferentes, mas antes era mais difícil perceber , lembro que quando descrevi o Bruno pela primeira vez parecia que eu estava descrevendo meu gêmeo siamês separado por cirurgia, ou algo assim. Lembro de escrever para uma amiga e dizer coisas como: Ele é de Deus, gosta de crianças, faz teatro, já fez missão na Angola... e lá se foi uma lista imensa de coisas nas quais nos parecíamos. Hoje, 11 meses depois, posso fazer outra lista igualmente imensa sobre as coisas nas quais não nos parecemos: Eu sou nervosinha, ele quase nunca perde a calma, eu sou gastona (até demais), ele pode viver muito tranquilamente com pouquíssimo dinheiro, eu adoro dar presente e comemorar datas, ele acha desnecessário, mas faz porque sabe que é importante para mim, eu como por compulsão, por vontade, por que quero, ele come só quando sente fome e ás vezes nem isso, enfim.

Mas numa coisa somos parecidos, somos sempre cheios de opiniões, na maioria das vezes opostas, é claro. Para ser sincera, eu gosto. Deve ser chato namorar alguém que sempre concorda com tudo.
Tipo:

Ela:  - Eu gosto de cogumelos gigantes da Malária.
Ele: - Verdade, eu também.

E então a conversa chegaria ao fim. Mas com o Bru e eu a conversa seria mais ou menos assim:

Eu: - Bru, gosto de cogumelos gigantes da Malária.
Ele: - Por que?
Eu:  - Sei lá, porque são gigantes.
Ele: - Mas você só gosta porque são gigantes? Talvez você não goste dos cogumelos, só goste de coisas gigantes.
Eu: - Gosto dos cogumelos sim.
Ele: - E se fossem alfaces gigantes?
Eu: - Da Malária?
Ele: - É.
Eu: Acho que eu gostaria também.
Ele: - Porque você gosta de coisas gigantes da Malária?
Eu: - Sei lá, porque você não gosta?
Ele: - Não gosto porque não faz sentido gostar de cogumelos gigantes da Malária, preferia um bife gigante do Brasil.
Eu: - Mas para gostar das coisas não precisa ter sentido, eu gosto de você e não tem sentido nenhum.
Ele: - Tem sim, eu sou lindo.
Eu: - E tonto.
Ele - Um tonto lindo.
Eu: - E chato.
Ele: - Um lindo tonto chato.
Eu: - É sim. - Silêncio - Poderíamos ir para Itu.
Ele:  - Porque você adora viajar.
Eu:  - Porque deve ter bife gigante do Brasil em Itu.
Ele:  - Então poderíamos ir para Itu.

Daríamos risada e assim a conversa jamais chegaria ao fim, aliás tenho a impressão de que nossas conversas nunca chegam mesmo ao fim, nós é que interrompemos para fazer outras coisas.

Antigamente eu costumava assistir um programa na TV a cabo que se chamava “o que me irrita em você”, em resumo os casais filmavam o que irritava no outro. Às vezes eu fico pensando o que eu colocaria num vídeo desses sobre o Bru, ou pior, o que ele colocaria num vídeo sobre mim. Mas tenho impressão de que nossos vídeos seriam engraçados, pois apesar das muitas diferenças, o que me irrita no Bru é ao mesmo tempo o que eu também amo e respeito, faz parte de quem ele é.


Tenho descoberto que decidir coisas juntos e fazer planos, mesmo os mais simples, como o que fazer no final de semana, não é tão fácil quando a decisão é à dois, é meio irritante, mas também descobri que apesar disso, vale a pena.

O que me irrita em você? Que eu te ame tanto apesar de me irritar. (rs)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Namorada mais esgotentinha do Brasil

Faz tempo que eu não venho aqui chorar minhas pitangas e contar meus fubás, né gente?


Então só para compensar, vou contar um fubázinho super do mal.

Outro dia, o Bru e eu decidimos, meio de supetão, ir embora (cabular)  nas duas últimas aulas para ir ao cinema.

Nosso Campus não é muito longe da paulista, então, como sempre decidimos caminhar até o shopping.

No meio do caminho, passamos por uma pracinha bonitinha e quando eu estava atravessando a rua ao lado da pracinha, pisei numa poça esquisita e molhei todo o tênis, fiquei com nojo, mas como o Bru já me acha de fresca sem que eu precise dar razão para isso, fiquei tentando disfarçar meu incomodo e mentalizar outras coisas para não ficar tocando no assunto.  

Mas obviamente não obtive sucesso, eu começava mentalmente tentando me acalmar: Pára de ser fresca, é só água, água limpinha, água limpinha com matinho, água limpinha com matinho que saiu de onde? Meu Deus, que água é essa?

Chegamos ao shopping, conversamos um pouco decidindo sobre a escolha do filme, mas, como não tínhamos muitas opções, optamos por  “Mercenários 2” e rapidamente compramos nossos ingressos.

Sentei num banco próximo a bilheteria para telefonar e mandar umas mensagens enquanto aguardávamos o inicio do filme, quando comecei a sentir um cheio horroroso e adivinhem de que direção ele vinha? 
Sim, de mim, mais especificamente do pé que eu havia molhado na poça.
Pois é, não era uma água limpinha com matinho afinal. Perecia mais uma água do Hell, porque gente, não é exagero, o cheiro era muito ruim mesmo, um fedor de dar nojo!

Eu, que já estava com nojinho antes, depois que senti o cheiro então, quase tive vontade de amputar aquele pé. 
Pensei “vou ao banheiro e lavo isso, não importa que eu fique com o pé ainda mais molhado, desde que fique bem limpinho” , mas eu cheguei no banheiro e a fila estava transbordando para fora da porta, ou seja, impossível usar. Fiquei meio desesperada e decidi: ok, vou comprar um tênis, uma meia, e uma calça (porque a barra da calça havia sujado um pouco também), mas já estávamos atrasados para o filme e o Bru já estava meio impaciente com meu desespero, e eu não queria fazê-lo perder a sessão, então, o jeito foi subir para o cinema com fedor e tudo e torcer para que ninguém reclamasse.

Correu tudo bem, eu estava quase convencida de que só eu estava sentindo aquele cheiro horrível quando, na hora de ir embora, descendo a escada rolante, o namorado me beija e fala baixinho: - Namorada mais esgotentinha!

No dia seguinte mandei um e-mail de bom dia para o Bru: Bom dia namorado mais amado de todos os universos!

E recebo a resposta: Bom dia namorada mais esgotentinha do Brasil!

Fala sério, né? Aff! Tem coisas que realmente só acontecem comigo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coisas de Bruno e Sayuri


Cuma? Sim, você leu certo.

Ok, às vezes a gente abandona o blog para tentar cuidar melhor da vida, é assim.

Com alguns turnos extras, coisas que chamamos de trabalho, ministério, faculdade e namoro, ler ou falar sobre a vida fica um pouco menos importante que vivê-la.

Espera um pouco, volta tudo, namoro?? É, namoro. Agora as previsões fazem sentido, não? Alguém não disse que o mundo acabaria em 2012? Vai ver alguns mundos precisem realmente acabar para que outros comecem a existir.

O Bruno costuma falar: - Deus te fez entrar no curso de Letras para me encontrar.
E eu retruco: - Não, Deus te fez querer ser professor para me encontrar.

Mas no fim, acho que as duas coisas fazem sentido.

Hoje completo um mês de namoro, e em minha mente vem o espanto, só um mês?? Parece muito mais. Agora eu entendo esse versículo: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.
2 Pedro 3:8”

Lá estávamos nós, na mesma sala, cada um num extremo dos quatro cantos. E eu sinceramente não sei dizer quando “o menino sem nome que sentava no outro canto da sala” passou a ser “o menino engraçado com quem eu gostava de rir” e depois “o Bruno”, depois ainda “o Bru” e agora “o meu namorado”. #mãozinhas (piada interna)

Por causa do bloguinho, o Bru descobriu que eu gostava desse lance de escrever (solteiros, fikdik, escrevam um blog) e começou a me mandar uns textos que ele havia escrito para eu desse minha opinião. Eu li o primeiro texto dele impresso, na sala mesmo, e depois ele pediu  “Me passa seu e-mail que eu te mando uns outros textos”. E eu passei. E entre um comentário e outro, se formaram diálogos cada vez mais cômicos, eu lia os textos, pensava sobre eles e claro, era subitamente levada a pensar em seu autor.

Algumas vezes as pessoas confundem amizade com amor, e em casos especiais, elas confundem amor com amizade. Nesse período em que nossa troca de mensagens começou , eu estava orando à Deus por um amigo, e achei que o Bruno era a respostas às minhas orações.

Em pouco tempo as mensagens deixaram de ser apenas engraçadas e passaram a ser necessárias. Eu precisava delas para animar o meu dia.

No final do primeiro semestre, a galerinha "mais chegada" marcou de fazer um “bota-fora” ou “põe pra dentro”, sei lá. Só sei que nesse dia o pessoal da facul, e isso inclui o Bruno, foi comer na paulista. Eu, toda boba alegre, comecei a batucar em alguns copinhos de plástico depois que comi, e o Bruno, numa tentativa muito engraçada de se aproximar, tentando me fazer parar de batucar, mordeu minha mão, e eu me lembro de ter pensado “gente do céu, esse menino tem probleminhas”. Mas o batuque e a mordida renderam vários e-mails nas semanas que se seguiram. E numa sexta-feira macabra de exame, surgiu um novo convite: - 
Vamos ao cinema?”  - E acho que eu hesitei, então ele completou :  - Ah, eu ,vc e fulano, vamos chamar a galera toda”  - E eu só faltei responder feito o Kiko: - Ah bom, então assim sim.

Aconteceram detalhes que eu acho melhor não contar, mas basta saberem que na tarde desse mesmo dia eu fiquei achando que o Bruno queria  “me agitar” para outro carinha. A galera toda que convidamos acabou cancelando o cinema e no fim, fomos só nós dois. Até aí, acho que nenhum de nós tinha intenção de nada, assistimos ao filme e naquele cinema gelado eu acabei confessando “ai que frio” e ele acabou oferecendo “quer minha blusa?”. E a resposta foi “Não”. Porque "não" era a resposta pertinente. Nessa ocasião eu acabei percebendo que o Bru tinha, tanto quanto eu, o dom de se atrapalhar e gostei da sensação de conhecer alguém que provavelmente não me julgaria no momento que eu caísse publicamente ou que eu esquecesse algo que deveria ser lembrado.

 Nesse período, eu fui convidada a ministrar um workshop de teatro para crianças, e pelas nossas conversas, eu sabia que o Bru gostava dessas “paradas” também, então eu o convidei a ministrar comigo, e por causa disso, mais e-mails e encontros surgiram. Um dia ele me chamou para ajudá-lo a comprar um chocolate para mãe dele e no dia seguinte recebi um e-mail diferente que falava sobre expectativa, falava sobre uma amizade que queria ser algo mais. E eu sabia que algo novo estava acontecendo comigo também, mas eu não conseguia identificar direito o que era. Deixamos o assunto de lado e em algum momento, que eu não sei bem qual, ele me chamou para participar do “encontro com Deus”(um acampamento) da igreja dele. E lá, ele como servo e eu como participante, quase sem podermos nos comunicar, eu percebi que ele era alguém especial para mim, confesso que no inicio sua especialidade era apenas me fazer rir, hoje, é me fazer feliz.

O assunto daquele sentimento “diferente” que estava começando entre nós, voltou, teve que voltar, e eu não me agüentava de tanta vergonha, às vezes queria fingir que eu mesma não existia. E o Bru foi paciente, ele insistia sem jamais me forçar a nada, ele me fazia enxergar o que eu mesma queria e depois me dava tempo para digerir tudo, no começo eu não conseguia sequer olhar para ele sem me sentir corando, eu desviava o olhar involuntariamente e por mais que minha vontade fosse olhar nos olhos dele, eu não conseguia fazer isso por mais de alguns segundos. Combinamos de ir a igreja dele para iniciarmos nosso “período de côrte”, que consiste no mês “D” para o inicio de um relacionamento cristão, é o mês de jejum e oração, o mês em que o futuro casal se decide sobre iniciar ou não um namoro, eu ousadamente diria que é o tempo de Deus dar o seu ok. Fomos conversar com o pastor e ele simplesmente sentou bem a nossa frente e nos perguntou: - Então, o que vocês querem conversar comigo?

Eu já estava mudinha antes dele perguntar, depois então, parecia que eu havia adquirido alguma deficiência, minha boca não tinha mais som, e se tivesse, me faltariam às palavras. O Bruno explicou brincando e quando eu achei que a parte constrangedora havia acabado, o pastor perguntou: Vocês já se beijaram?

E se eu conseguisse falar, eu diria: - Não. Ainda estamos tentando olhar um para o outro.

Mas apenas balancei a cabeça negativamente, o Bruno também.

E então o pastor explicou o que esse período de côrte significava e nos orientou sobre o que poderíamos ou não fazer durante os 30 dias que se seguiriam.

Ao final nos deparamos com algo ainda inesperado, o pastor, do jeito mais natural possível, acrescentou: - Depois de 30 dias vou orar por vocês e vocês darão o primeiro beijo na minha frente!

Minha estranha deficiência subitamente se foi e eu me ouvi falando em alto e bom som: - Você está brincando, né?

Só que não, não era brincadeira.

Pronto, agora eu tinha data e hora marcada para o primeiro beijo e não estou me referindo ao primeiro beijo no Bruno, estou falando do primeiro beijo de toda a minha vida. Eu poderia me sentir privilegiada por ser a única pessoa na face da terra a passar por isso dessa forma, mas o que aconteceu de verdade me deixou em uma posição ainda mais ímpar, acho que poderia constar no Guines book facilmente.

Semana a semana, desses 30 dias, íamos adquirindo mais e mais intimidade.

Num desses dias, o Bru me mandou uma  mensagem: - Você já falou com Deus sobre mim?

E eu respondi: - Sim, no começo agradecia a Deus pela nossa amizade, agora batemos longos papos sobre você. E você, já falou com Deus sobre mim?

E ele respondeu: - Ah, um dia eu estava orando e perguntei “Deus o que você acha da Sá?” e acho que ele sorriu e falou para eu mostrar meu interesse e é isso que estou tentando fazer.

Hoje sei que isso era algo que eu precisava ouvir para levar todo o desafio do namoro adiante.

E na tal côrte, nos conhecendo, nem tudo foi tão perfeito assim, decidimos que conheceríamos a familia e amigos um do outro, mas um dia esse plano deu errado e o Bruno acabou voltando para casa bem chateado. No dia seguinte, eu não sabia bem como me desculpar, e percebi que momentos como aquele poderiam acontecer mais vezes, então eu decidi fazer uma pergunta, mandei por malote um envelope com meu pedido de desculpas, o chocolate preferido dele e um bilhete: - Mesmo quando eu fizer tudo errado você ainda vai me amar?

Ele me desculpou, ficamos bem.

Dois dias antes do término da nossa côrte eu apareci na igreja dele para assistir a uma peça que o Bru apresentaria. Sentamos juntos e assim, do nada, lá do púlpito, o pastor perguntou “acabou o período?”, balançamos a cabeça negativamente, mas ele insistiu “mas vocês querem ficar juntos” E dessa vez balançamos a cabeça positivamente, a essa altura, tínhamos sarado de boa parte de nossas inseguranças e tínhamos a certeza de que nos amávamos e poderíamos agradar o coração de Deus juntos.  Nossos corações já haviam dito sim um ao outro. E então o pastor nos intimou “pode subir para que eu dê minha benção”. Eu me desesperei com a surpresa e acho que o Bru se desesperou com meu desespero e se minha pressão não tivesse baixado e o Bru não estivesse segurando bem forte minha mão, eu teria sim corrido para o lado oposto ao do pastor, ou seja, para fora da igreja.
A igreja inteira orou por nós e em seguida o pastor falou que podíamos nos beijar, bem assim, na frente de umas 100 pessoas, sei lá, para mim parecia a torcida do Corinthians inteira. Eu me esquivei e o pastor falou que tiraria a benção se não nos beijássemos, e eu fiquei em dúvida se desmaiava ou corria, então  fiquei completamente imóvel, petrificada, e o coitado do Bru, me deu um beijinho sem sentir a menor resposta dos meus sinais vitais. Ele até brinca que agora sabe como é beijar um defunto, porque deve ter sito exatamente essa a sensação.
Mas não importa, porque agora estávamos oficialmente namorando.

Recentemente tivemos nossa primeira briguinha mais séria, e sabe aquela pergunta que eu fiz quando dei mancada no inicio da nossa côrte? Então. Ela foi respondida com um “saiba que a resposta para o seu bilhetinho é: - Eu sempre vou te amar, não importa o que aconteça”.

Nosso relacionamento tem sido construído sob uma rocha inabalável. Cada dia noto alguma coisa que me faz admirar mais o Bru e ter a certeza de que toda a espera valeu a pena. Achei que minha satisfação seria ter ao meu lado alguém que quisesse fazer a vontade de Deus comigo, mas hoje percebo que há muitas outras coisas que me satisfazem nessa união, acho que quando tentamos fazer a vontade de Deus, Deus de alguma forma faz a nossa vontade também.

Todo sábado, oramos juntos, mas mesmo quando estamos separados procuro pedir a Deus para nos ensinar a agradar um ao outro, e a nos dar liberdade um com o outro, e a não nos deixar prosseguir sem que Ele vá conosco.

Estudamos juntos, na mesma sala, e na prática, nos vemos todo dia, o engraçado é que, muitas vezes, sentimos que todo dia não é suficiente. É esquisito e ao mesmo tempo legal perceber que um dia sem nos vermos, ainda que tenhamos trocado mensagens, parece um dia incompleto. Ainda não entendo essa vontade de abraçar que não vem associada ao equilíbrio de querer deixar de abraçar. E é meio assustador quando percebemos que nossos sonhos se completam sem o menor esforço, como se os dois fossem apenas um. Todo dia notamos diferenças que aprendemos a amar no outro, mas sabemos que no que mais importa somos parecidos.  Juntos, as vezes, agimos feito crianças, rimos o tempo todo, conversamos sem vontade de parar, e sempre que temos oportunidade, tentamos surpreender o outro com algum mimo. Não raramente nos perguntamos se todo casal é assim. Se é tão bom, divertido, incrível e legal com todo mundo, se a dor do outro deveria incomodar tanto, mas depois sempre concluímos, não importa, temos o nosso próprio jeito. Ambos despertamos no outro o melhor que podemos ser, e foi assim que eu sempre sonhei e é assim que deve ser.

 Bru, Feliz primeiro mês de namoro. Eu amo você e também sempre vou te amar, não importa o que aconteça.

"Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração.
Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará.
Salmos 37:4-5"

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